Festival Baobá consolida João Monlevade como referência na valorização da cultura negra

Evento promovido pela Casa de Cultura transformou a Praça do Povo em um grande palco de celebração da ancestralidade, da diversidade e da identidade afro-brasileira

 

João Monlevade viveu um fim de semana histórico com a realização do Festival Baobá - Pretas Tradições. Entre os dias 3 e 5 de julho, a Praça do Povo recebeu uma intensa programação cultural que reuniu música, literatura, gastronomia, empreendedorismo, religiosidade, manifestações tradicionais e diversas expressões das culturas afro-brasileiras, africanas e afrodiaspóricas.

Realizado pela Fundação Casa de Cultura, o Baobá reafirmou sua importância como uma das principais políticas públicas de promoção da igualdade racial, valorização da diversidade e fortalecimento da identidade cultural de João Monlevade. Além de oferecer atrações gratuitas de artistas locais e nacionais, o festival impulsionou a economia criativa, movimentando barracas de alimentação, artesanato, literatura e produtos culturais.

A programação teve início na sexta-feira (3) com a celebração das religiões de matriz africana, seguida pela tradicional Batalha da Doze e pelo show de CesarWil e SuFerrarini.

No sábado (4), o público acompanhou o tradicional cortejo da Guarda de Marujos Nossa Senhora do Rosário e da Guarda de Congado Nossa Senhora de Santana, apresentações culturais, contação de histórias, shows de Fran Januário, DJ Black Josie, O Culto da Rua, além dos aguardados espetáculos de Rincon Sapiência e da dupla Tasha & Tracie, que encerraram a programação da noite.

O domingo reuniu milhares de pessoas desde o início da tarde, com atividades distribuídas em dois palcos. Entre os destaques estiveram os shows de Fundo de Quintal, Mihai, Nega Kelly, Sandra de Sá e Família Alcântara. O público também participou da oficina de capoeira infantil, acompanhou a transmissão da partida da Seleção Brasileira em um telão e celebrou ao som do grupo Samba D'Ouro, em um ambiente marcado pela integração, diversidade e convivência.

Mais do que um evento cultural, o Festival Baobá reafirmou seu papel como espaço de reconhecimento da história, da memória e das contribuições da população negra para a formação da identidade brasileira e, especialmente, de João Monlevade.

A diretora-presidente da Fundação Casa de Cultura, Nadja Lírio Furtado, ressalta que o Festival Baobá ultrapassou o papel de um evento cultural para se consolidar como uma das principais políticas públicas de valorização da cultura negra e de fortalecimento da identidade de João Monlevade. Para ela, a legitimidade conquistada junto à população demonstra que o festival já faz parte da história da cidade. Entre todos os desafios que a gestão da cultura em Monlevade nos impõe, quebrar preconceitos, abrir novos espaços, difundir a cultura monlevadense e aproximar os agentes culturais, colocando Monlevade no mapa cultural do Brasil, acredito que o Baobá é uma das maiores conquistas que jamais poderíamos realizar. A forma como ele ganhou legitimidade através da participação do povo é prova de que o Baobá não é apenas importante, ele é necessário, imprescindível. O Baobá vive e vai continuar vivendo, mesmo depois de não estarmos mais aqui", ressaltou.

O sucesso de público e a diversidade da programação reforçam o Festival Baobá como um dos principais eventos culturais de João Monlevade e da região, consolidando o município como referência na valorização da cultura afro-brasileira e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial, da inclusão e da preservação da memória e das tradições que formam a identidade do povo brasileiro.

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